Resenha Achados e Perdidos (Stephen King) - Vale a pena ler

Vale a pena ler Achados e Perdidos? O segundo volume da trilogia Bill Hodges de Stephen King. Nesta Resenha Achados e Perdidos, explore a trama de suspense psicológico que envolve a obsessão literária de um vilão, o sacrifício do jovem Pete Saubers e o poder perigoso das palavras.

RESENHAS

Enzo Oliveira

5/25/20264 min read

"Banner promocional para resenha do livro Achados e Perdidos de Stephen King
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Se você pensa que o maior vilão no universo de Stephen King vem do palhaço assassino, Achados e Perdidos chega para provar que a mente humana — e a obsessão pela literatura — pode ser igualmente aterrorizante. Segundo volume da Trilogia Bill Hodges (que começou com Mr. Mercedes), este livro funciona perfeitamente bem, mesmo se focado em sua própria e isolada premissa, entregando um suspense psicológico incrível.

A trama: quando a ficção se torna assunto de vida ou morte

A história começa em 1978 com Morris Bellamy, um leitor fanático e completamente obcecado pela trilogia de livros do famoso autor John Rothstein. Revoltado com o final que o escritor deu ao seu personagem favorito (e com o fato de Rothstein ter parado de publicar), Morris faz a ação que logo seria a âncora da trama: invade a casa do autor, o assassina e rouba seu dinheiro, além de dezenas de cadernos contendo romances inéditos. Bellamy sabia que os livros eram mais importantes que o dinheiro do cofre.

Morris esconde o tesouro literário e o dinheiro roubado em um baú enterrado próximo à sua casa, mas, antes que possa ler os manuscritos, acaba preso por outro crime.

Décadas mais tarde, em 2010, conhecemos o jovem Pete Saubers. Sua família está passando por graves dificuldades financeiras após o pai ser gravemente ferido no atentado do "Assassino do Mercedes" (ligando este livro ao primeiro da série). Por acaso, Pete encontra o baú enterrado de Morris — e aqui vai uma curiosidade importante: Peter Saubers mora na mesma casa em que Morris morou antes de ser preso anos atrás. O dinheiro salva sua família, mas são os cadernos inéditos de Rothstein que capturam o coração do jovem, que também sonha em ser escritor. O problema? Morris Bellamy acaba de ganhar liberdade condicional e ele quer seus cadernos de volta a qualquer custo.

O Gato e Rato definitivo

É aqui que o livro engrena uma marcha frenética. Stephen King constrói um paralelo brilhante entre dois leitores de gerações diferentes, mas unidos pela mesma paixão. De um lado, Pete, que vê naquelas palavras uma salvação e uma inspiração artística; do outro, Morris, cuja mente foi corrompida pelo fanatismo e pelo rancor.

Quando as vidas de Pete e Morris colidem, o detetive aposentado Bill Hodges e seus parceiros, Holly e Jerome, entram em cena para tentar evitar uma tragédia iminente. O ritmo da segunda metade do livro é um verdadeiro teste para o coração do leitor.

Por que vale a pena ler?

Uma ode (e um alerta) à literatura: assim como fez no clássico Misery: Louca Obsessão, King explora o lado sombrio da relação entre fã e criador. Ele mostra como a arte tem o poder de moldar — e, em mentes instáveis, destruir — vidas.

Vilão magnético: Morris Bellamy é um dos vilões humanos mais detestáveis e fascinantes que King já criou. Você consegue entender o amor dele pela literatura, mas se choca com a total falta de moralidade.

Construção de tensão: A forma como o autor costura as linhas temporais e faz o cerco fechar em torno de Pete Saubers é magistral.

Motivações de Peters Saubers: Diferente de Morris, o jovem Pete Saubers não é movido pela ganância ou pela obsessão doentia. Ao encontrar por acaso o baú com mais de vinte mil dólares enterrados, sua primeira reação não é gastar com futilidades. Sabendo que sua família enfrenta uma crise financeira devastadora, ele decide usar o dinheiro para salvá-los — mas de forma totalmente anônima.

Todo mês, Pete deixa um envelope com quatrocentos dólares na caixa de correio. Para os pais, o dinheiro misterioso parece um milagre que os tira de diversos apertos financeiros ao longo dos anos. O problema é que todo recurso um dia acaba.

Quando o dinheiro do baú finalmente se esgota, a família se vê diante de um novo dilema: a irmã caçula de Pete, Tina, a quem ele ama profundamente, precisa de ajuda financeira para entrar na escola dos seus sonhos. Desesperado para não falhar com a irmã e com a família, Pete toma uma decisão arriscada: começar a vender os valiosos e inéditos cadernos de John Rothstein no mercado clandestino. É esse ato de amor e desespero que acende o estopim de um problema gigantesco, colocando-o diretamente na mira do perigoso Morris Bellamy.

Veredito

Achados e Perdidos é um suspense tenso, inteligente e profundamente humano. É um livro indispensável para quem gosta de histórias sobre o poder das palavras, crimes do passado que cobram seu preço no presente e, claro, para qualquer um que saiba como é a sensação de se perder completamente dentro de uma boa história.

Achados e Perdidos - Stephen King
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