Resenha Mr Mercedes (Stephen King) - Vale a Pena Ler
Vale a pena ler Mr Mercedes? O primeiro volume da trilogia Bill Hodges de Stephen King. Nesta Resenha Mr Mercedes, explore a trama de suspense psicológico que envolve um assassino que trabalha em um carro de sorvete e um policial triste, que se culpa por não solucionar o caso do assassinato do city center.
RESENHAS
Enzo Oliveira
5/27/20263 min read


A Tragédia do City Center
A narrativa começa com uma sequência chocante e gráfica que se passa em 2009. Centenas de pessoas sem emprego aguardam, sob a neblina da manhã, em uma fila de feira de empregos, a oportunidade de um trabalho digno. É nesse momento que ocorre o verdadeiro terror: um motorista desconhecido, dirigindo uma Mercedes de luxo roubada, avança de forma intencional contra a multidão, resultando na morte de oito pessoas (entre elas, uma mãe e seu filho) e deixando muitas outras feridas. O criminoso escapa sem deixar rastros.
Anos depois, conhecemos Bill Hodges, o detetive aposentado que foi responsável pelo caso, mas nunca conseguiu resolvê-lo. Hodges está deprimido, passa os dias assistindo a programas de TV ruins e contemplando o suicídio com a arma do pai. Tudo muda quando ele recebe uma carta provocadora assinada pelo próprio "Assassino do Mercedes". O criminoso o convida a entrar em um site de bate-papo secreto, com o objetivo claro de empurrar o ex-policial para o abismo da morte. Mas o tiro sai pela culatra: a provocação acende uma faísca de vida em Hodges, que decide iniciar uma investigação obsessiva e totalmente informal para caçar o monstro por conta própria.
O Gato e Rato definitivo
O grande trunfo de King aqui é revelar a identidade do vilão logo no início. Nós sabemos exatamente quem é o Sr. Mercedes: Brady Hartsfield, um jovem aparentemente pacato que trabalha como técnico de informática e sorveteiro, mas que esconde uma mente psicopática. A narrativa se divide entre a perspectiva de Hodges e a de Brady. Enquanto o detetive aposentado junta os cacos de sua vida e ganha aliados — como o jovem e brilhante Jerome, e a traumatizada Holly Gibney —, Brady planeja um segundo atentado, ainda mais devastador, que pode tirar a vida de milhares de adolescentes. É uma corrida contra o tempo onde cada segundo conta.
Por que vale a pena ler?
Sem sobrenaturais: É fascinante ver como o autor constrói o medo usando apenas a maldade humana real. Não há hotéis mal-assombrados ou palhaços; o horror aqui é o vizinho do lado, o homem que conserta o seu computador.
A evolução de Bill Hodges: Hodges é um protagonista verdadeiro. Ele não é um super-herói; é um homem quebrado, acima do peso e envelhecido, cuja única arma é sua experiência policial e o desejo de redenção.
A estreia de Holly Gibney: para quem acompanha o universo de King, este livro é histórico por apresentar Holly Gibney. Ela começa como uma mulher profundamente disfuncional e cheia de fobias, mas se transforma em uma das personagens mais ricas e queridas de toda a bibliografia do autor.
Motivações de Brady Hartsfield: O vilão é um poço de complexidade e repulsa. Brady não busca dinheiro; ele busca a sensação de poder absoluto e o reconhecimento de sua "genialidade".
Vivendo uma relação bizarra e doentia com a própria mãe alcoólatra, ele usa seus empregos cotidianos para monitorar suas potenciais vítimas. O fato de ele dirigir um caminhão de sorvete pela vizinhança confere um tom macabro à sua figura: o homem que traz alegria para as crianças é o mesmo que planeja uma carnificina. Suas motivações são puramente egoístas, o que torna o embate com a moralidade e o senso de justiça de Hodges algo magnético.
Veredito
Mr. Mercedes é um thriller de ritmo rápido e inteligente. Stephen King prova que domina a arte do suspense policial com a mesma maestria que domina o terror, entregando uma história sobre obsessão, depressão e a busca por justiça. Um livro impossível de largar até a última página.





